20/10/16

A Técnica da Caixa de Areia no Processo Terapêutico de um Adolescente Vítima de Maus Tratos

Resumo

 A terapia da caixa de areia é uma técnica que possibilita a amplificação do símbolo, método principal da psicologia analítica, dinamizando a ação prospectiva e evolutiva na personalidade em direção ao seu potencial de busca de auto-regulação e totalidade, denominado de processo de individuação. Esse é um processo complexo de funcionamento do cérebro, num corpo e num contexto, verificável na interação terapêutica, que resgata e integra os estágios arquetípicos do desenvolvimento mental, sobretudo os arquétipos parentais, estruturantes para a meta desse desenvolvimento.

Palavras-chave: caixa de areia, arquétipo, individuação, complexo, Self.

22/05/14

A técnica da caixa da areia no contexto da oficina matéria-prima.

João Carlos Vaz Furtado


A técnica da caixa de areia é um recurso não-verbal, autónomo e não-racional, que possibilita poucas influências do terapeuta e, por isso mesmo, é um processo natural e espontâneo do  desenvolvimento mental.    
  
Pode-se considerar Magaret Lowenfeld (1935) a precursora desta técnica lúdica aplicada à crianças como recurso de psicoterapia. Dora Kalff inspirada por este trabalho e incentivada por Jung começou a desenvolver sua própria versão da terapia na caixa de areia. No seu único livro, Kalff desenvolve o pensamento desenvolvimentista junguiano da época, segundo o qual o Self dirigiria o processo de desenvolvimento da psique desde o nascimento. 

A técnica consiste de uma caixa retangular, com dimensões de 72 X 50 X 7,5 cm, pintada internamente com cor azul-claro (impressão de água azul) e com areia até a metade. Incluem-se também centenas de miniaturas para a construção dos cenários na areia. A coleção de miniaturas deve abranger o máximo possível de possibilidades de representação do universo humano: pessoas, animais, vegetais, transportes, alimentos, objetos sagrados e bélicos, personagens míticas e folclóricas, edificações, representações de fenómenos da natureza, sucatas e material criativo em geral.

Uma forma de iniciar este trabalho em psicoterapia é incentivar o paciente a experimentar o trabalho terapêutico na caixa de areia. A forma como isso se dá, a escolha das miniaturas, sua distribuição na caixa, a manipulação da areia e a elaboração de um cenário, são livres e infinitas. Cada paciente tem o seu ritmo e sua forma de reagir a essas orientações e estímulos. Ele poderá criar um cenário que inclui miniaturas, fazer uma escultura na areia ou apenas manipular a areia, que naturalmente assumirá formas reveladoras. Durante a construção  do cenário é importante observar e documentar as reações não-verbais, assim como as verbalizações a respeito da mesma, especialmente aquelas que vêm espontaneamente.

Na análise e interpretação dos cenários adota-se o procedimento junguiano de amplificação do símbolo, ou seja, não interpretar imediatamente os cenários, mas esperar para ver o que os pacientes diriam por si. Pressionar associações seria encorajar a atividade racional, que não é desejável aqui, excepto se ocorrer de forma espontânea. Essa pressão, ademais, encorajaria a discussão verbal e uma expectativa de resposta do terapeuta. Além do mais, anteciparia o processo natural de desenvolvimento da consciência, não integrando espontaneamente os estágios anteriores de criação e formação da consciência.

Portanto um cenário produzido pode ser entendido como uma representação tridimensional de alguns aspectos da situação psíquica. Características estas fundamentais da estruturação de um ego: espaço, tempo e causalidade; além de incluir os aspectos criativos, lúdicos, interativos e dinâmicos do método, todos eles característicos de um jogo e coerentes com o pensamento junguiano.

A terapia da caixa de areia facilita a interação dinâmica acontecida num espaço no qual se apresentam ao cliente estímulos facilitadores à expressão de sentimentos, valores e fantasias; e mais, as emoções são traduzidas em imagens, propiciando assim também a simbolização tridimensional dos aspectos inconscientes. Não é demais lembrar a importância do psicoterapeuta conscientizar-se da qualidade da relação que estabelece com suas miniaturas, e que aspectos simbólicos que elas evocam, qualidade esta que muitas vezes poderá se expressar nos cenários de seus clientes. A vivência desses símbolos, ou seja, sua concretização, visualização e reconhecimento consciente, agregada à interpretação ou o trabalho de associação e amplificação, típicos no contexto junguiano de psicoterapia, pode possibilitar transformações.

O processo de simbolização na aplicação da terapia da caixa de areia é de fundamental importância. As capacidades do cliente de fantasiar, imaginar, inventar, criar, projetar, podem ser visualizadas e mesmo sintetizadas nesse processo de simbolização. A escolha de um tema, de uma cena ou de um objeto resultam de um complexo sistema de articulações, conscientes e inconscientes, catalisadas por um processo de simbolização. O surgimento de um símbolo seria, portanto, uma invenção inconsciente em resposta a uma problemática consciente. Além dessa aplicação clínica, os símbolos poderiam ser amplamente interpretados a partir de uma perspectiva histórica, cultural ou de um contexto psicológico generalizado.



21-04-2017



09/05/09

OFICINA MATÉRIA PRIMA

A oficina matéria prima é um espaço terapêutico de desenvolvimento vocacional, de exercício da autenticidade e de possibilidade de realização pessoal nos diversos contextos interpessoais, descritas muitas vezes como o sentimento de estarem em acordo consigo mesma e com o outro, funcionando de maneira criativa, sentindo que são tratadas com equidade e podendo utilizar do diálogo para a superação das diferenças e dos conflitos.

A Metodologia adotada é  experimental, sempre relacionada à interpretativa e simbólica, tal escolha visa demonstrar que na realidade não é possível dissociar quem eu sou do que eu faço e do que eu falo.

Será possível então que em toda ação está se buscando também a prima matéria, ou melhor, a individuação? A escolha deste termo é o que melhor define em essência o que significa esta meta, ser alguém totalmente único, diferenciado e original, ao mesmo tempo em que está totalmente adaptado ao meio.

Não seria esta a meta de qualquer ação: originalidade, criatividade, igualdade, diálogo, integração?

Estas sessões trabalham os conceitos Junguianos da origem e desenvolvimento da consciência, baseados principalmente nas obras de E. Neumann, M. Fordham, E. Edinger e C. Byington, que desenvolveram posteriormente a Jung, hipóteses do processo de individuação ocorrer desde o início da vida.


Todos eles observaram que o desenvolvimento  da consciência que ocorre na história da humanidade (coletivo) também acontece com cada novo indivíduo que nasce. Nestas sessões irá se testar e observar que tais ciclos também atuam em nossas ações, facilitando a conexão mental, qualificando continuamente o potencial existente dentro de cada um.


Os recursos utilizados são meios expressivos de pintura, modelagem, dramatização, dança, imaginação ativa, caixa de areia, associação livre dos sonhos.


João C.V. Furtado